Home ESPORTE Pouco conhecida e sem patrocínios antes de Tóquio, Rebeca Andrade escolhe marcas e ganha projeção mundial

Pouco conhecida e sem patrocínios antes de Tóquio, Rebeca Andrade escolhe marcas e ganha projeção mundial

por Correio do Maranhão
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Hoje associada a diversas empresas, ginasta contratou agência para cuidar da carreira logo após ouro olímpico, e passou de 100 mil para 2.4 milhões de seguidores em dias: “Não é deslumbrada”, diz empresária

A vida de Rebeca Andrade sofreu uma profunda transformação em um período muito curto. De atleta olímpica praticamente desconhecida, no país e principalmente no cenário internacional, desacreditada após lesões, ela se tornou a principal personagem da ginástica artística no mundo no segundo semestre de 2020. Não tinha nenhum patrocínio pessoal ao desembarcar no Japão. Hoje, escolhe com qual marca quer se aliar.

Atualmente, além de uma grande campanha publicitária ainda não revelada que já está fechada para 2022, ela está vinculada a 12 marcas, entre patrocínios, publicidade e ações digitais. Os patrocinadores principais são Riachuelo e Ozone. Ela é garota-propaganda da Havaianas, fez campanhas recentes para Instagram e Spotify, e é embaixadora da Volvo, Vult, Lancôme e Neutrox. Isso sem falar em ações pontuais.

– A Rebeca, como qualquer atleta que eu trabalho, parece clichê falar que tem de fazer sentido, tem de combinar com os valores, mas não é. Para o negócio dar certo, tem de ter essa verdade. Chega muita coisa para ela, um volume muito alto. Então, as marcas que estão do lado dela, primeiro de tudo, respeitam como ela é, como ela pensa, tem essa sinergia. Se não tiver, não é só o meu papel, a decisão final é dela. E tem de ser dela. É óbvio que quando entramos mais em detalhe, segurança jurídica, pagamento, a gente tem uma equipe para isso. Mas o que quer fazer e o que não quer, essa decisão final é dela – disse Danielle Schneider, CEO da Agência de Atletas, que passou a cuidar da carreira da ginasta após a conquista do ouro olímpico neste ano.

Atleta do Flamengo, Rebeca foi a competidora olímpica mais pesquisada no Google em 2021. Em questão de dias, com a medalha em Tóquio, sua rede de seguidores pulou de pouco mais de 100 mil para 2.4 milhões no Instagram, por exemplo. Uma transformação que fez com que Rebeca, logo após subir ao pódio, decidisse contratar uma empresa para fazer a gestão do que estava por vir: assédio de fãs e mídia, ofertas de patrocínio e publicidade, e, é claro, dinheiro na conta. Hoje, ela conta com assessoria jurídica, financeira e orientação em todos os negócios que se dispõe a fechar.

– Foi depois da medalha (que a agência começou a trabalhar a carreira de Rebeca), ela não tinha ninguém. É um pouco diferente, porque começa do estágio onde o atleta quer chegar. Em termos de marcas, ela ganhou uma visibilidade muito grande. Ela é uma menina muito diferenciada, uma mulher muito diferenciada, muito consciente do papel dela, de como inspira as pessoas, e acho que ela é muito consciente da história dela, do que a trouxe até aqui. Então ela ganhou esse holofote e passou a ser ouvida, acho que essa é a grande questão. E aí, dentro desses atributos, de como teve o espelho da Daiane (dos Santos), como ela pode inspirar, tudo isso torna mais fácil a minha vida, a vida da nossa agência, que é prospectar as marcas e entender quem vai se associar – explicou a empresária.

O alcance da projeção internacional será melhor percebido quando a pesquisa já encomendada por Schneider for entregue, mas um evento em particular, para a empresária, dá a dimensão do prestígio da ginasta:

– A gente já encomendou uma pesquisa justamente para trazer esse impacto no mundo. O que posso dizer é que no momento que tem um convite da FIA para dar a bandeirada em Interlagos… Se parar para pensar, é a terceira brasileira que não tem a ver com automobilismo a dar a bandeirada. Teve antes o Pelé, a Gisele Bundchen. Primeira atleta brasileira a dar essa bandeirada e, antes dela, só teve uma no mundo que foi a Serena Williams (que deu a bandeirada em Mônaco, em maio deste ano). Então a partir do momento que um órgão internacional convida para dar a bandeirada em uma corrida tão importante como aquela, a gente entende que realmente virou uma celebridade internacional. No meio da ginástica ela era conhecida, era aposta de muita gente, mas reconhecimento de grande público não tem nem o que dizer.

E Rebeca não foge às lutas. Percebe seu papel com a projeção que ganhou e não pretende, agora que sua voz ecoa pelo planeta, deixar de cumpri-lo. Questionada sobre como lidar com questões políticas e sociais, ela não hesita:

– Tento usar a minha voz e os espaços que conquistei para inspirar e ajudar as pessoas, levar alegria e também mensagens que ajudem na reflexão e consciência do que estamos vivendo, de como enfrentar determinadas situações. Sinto que hoje esse é um papel que cabe a mim, que o público espera que eu me posicione, que eu opine, e sei que isso pode ajudar em decisões ou influenciar opiniões das pessoas também. Procuro engajar em iniciativas sociais e ações positivas, que façam a diferença, especialmente naquelas em que estou inserida, como mulher preta, que veio de onde eu vim, superando os obstáculos e desafios que surgiram ao longo de todos esses anos – disse a ginasta ao ge.

Indagada sobre sonhos, materiais ou não, Rebeca esbanjou simplicidade de uma menina que acaba de conquistar o mundo, mas não tira o pé do chão. Mansões, carros? Não. A felicidade de Rebeca depois da Olimpíada e do Mundial, no qual também subiu ao lugar mais alto do pódio, foi conhecer a Disney. Planos? Faculdade e volante.

– (A vida) Mudou bastante. Hoje muito mais gente me conhece, me acompanha, sabe quem eu sou, muita gente passou a se interessar pela minha história e pela ginástica. Realizei um sonho que era conhecer a Disney e foi mágico! Me senti uma criança, foi tudo maravilhoso e a viagem foi incrível, fechando um ano muito especial. Agora, em 2022, tenho muitos sonhos, vou começar a cursar minha faculdade de Psicologia e quero tirar a minha carteira de motorista também. Isso é reconhecimento ao meu trabalho e de toda a minha equipe. Foi uma mudança muito grande, só tive uma noção maior do tamanho dessa transformação quando cheguei ao Brasil depois das Olimpíadas. Demorou um pouco para a ficha cair e eu entender tudo, porque são experiências novas para mim, oportunidades novas, e fico muito feliz que isso tudo esteja acontecendo.

A empresária afirma que essa personalidade simples e consciente de seu papel ajuda, e muito, na gestão da carreira:

– A Rebeca é uma mulher que tem muita consciência do que ela é, do que ela representa, é uma mulher preta, que veio da periferia, que batalhou muito, três lesões, ela viveu 60 anos em cinco, eu costumo brincar. E tem toda a história pregressa, família muito grande, mãe superbatalhadora. Por outro lado é uma menina que estuda muito, que gosta de se informar, então tem consciência do papel dela, de ser espelho para futuras gerações e valorizar gerações anteriores a ela. É muito dela, não é nada orientado.

Schneider completa explicando que sonhos materiais existem, claro, mas não são prioridade no momento:

– É uma mulher muito tranquila (com relação a bens materiais). Não quer dizer que ela não visualize isso, mas ela é muito focada no esporte. A gente tem esse tipo de conversa, ela tem uma consultoria financeira que está trabalhando para ela, da agência, para pensar em aposentadoria lá na frente, bons rendimentos, mas ela não é deslumbrada. O foco dela é o esporte.

Por:ge

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