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Tecnologia transforma a produção nos campos de Santa Catarina

por Correio do Maranhão
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Setor tem evoluído com inovações em várias áreas da agricultura, beneficiando produtores e consumidores. Conheça os pontos fortes, o que deve melhorar e as tendências para o futuro do agronegócio

O agro é uma das atividades que mais incorporou inovações nos últimos tempos. Os tratores que funcionavam apenas na base da força e a distância das novidades tecnológicas fazem parte de um cenário antigo, nada realista no mundo atual e, principalmente, do futuro.

As palavras são do vice-presidente da Faesc (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina), Enori Barbieri. “Para permanecer vivo no campo, temos que introduzir novas tecnologias”.

Máquinas agrícolas com GPS e diversos instrumentos tecnológicos que auxiliam o produtor são pequenos exemplos da constante mudança que passa pelo setor. “O que dá a condição de ser competitivo? Dominar as tecnologias”, afirma Barbieri.

Na visão do representante da federação, Santa Catarina já obtém bons resultados quando o assunto é desenvolvimento tecnológico em vários setores, mas ainda há muito a evoluir.

“Para algumas atividades, como a produção de frango e de suínos, já estamos no topo. Temos aumentado pouco a área de lavoura e crescido em produção. Ou seja, espaço para implementar novas tecnologias, como aquelas de precisão de plantio – sistemas tecnológicos que mostram exatamente o que os produtores precisam plantar -, laboratórios que auxiliam a eliminar doenças, a produção leiteira também tem muito a evoluir. Vários setores ainda têm muito espaço para aumentar a produção”, avalia.

Os impactos dos benefícios que as inovações podem trazer para os produtores é enorme, conforme ilustra Enori Barbieri.

“O Brasil produz leite e 250 subprodutos do leite. Na Nova Zelândia, o mesmo leite produz 1.200 subprodutos. Aí entrou a parte química, através de novas tecnologias. Temos muito espaço para isso, e existem muitas empresas trabalhando nisso”, garante.

Ao citar os pontos mais críticos da agricultura em Santa Catarina, o vice-presidente da Faesc aponta alguns caminhos que são cruciais para o avanço do setor nos próximos anos.

“Temos que ter sementes de resistência a pragas, não conseguimos dominar ainda tratamentos para isso. Outro ponto importante é que devemos plantar dentro do período indicado para isso, pois assim corremos menos riscos de problemas climáticos. Acho que ainda precisa um pouco mais de conhecimento dessas coisas, ainda somos muito vulneráveis. Existem mecanismos para minimizar”.

Agroconnect: menos custo de produção e ajuda ao meio ambiente

Agroconnect, um software que pode ser acessado no site da Epagri, é um exemplo de tecnologia que dá um enorme auxílio aos produtores rurais do Estado.

Um dos autores da ferramenta, o coordenador do programa Desenvolvimento e Sustentabilidade Ambiental da Epagri, Everton Blainski, destaca que ela existe desde 2012, mas já passou por diversas melhorias.

“No início, era um pequeno número de estações, cerca de 30. Hoje já são mais de 200. E disponibilizávamos apenas as variáveis meteorológicas, hoje avançamos para avisos fitossanitários. Pegamos a informação de tempo e relacionamos com o aumento de doenças nas culturas. Aí passamos a ajudar os produtores”.

Entre os impactos positivos, Blainski cita um tripé: ambiental, econômico e social. “Sempre associamos o seguinte: diminui o custo de produção, menor uso de agrotóxicos e isso favorece o meio ambiente, e consequentemente temos acesso a produtos”, avalia.

A ajuda sustentável do programa é “significativa”, segundo o profissional.

Isso se deve ao fato do software mostrar as condições favoráveis à ocorrência de doenças em algumas culturas agrícolas. Dessa forma, torna os cultivos mais sustentáveis e reduz custo para produtores, pois os agrotóxicos só são usados quando há risco verdadeiro. 

Além disso, o sistema de monitoramento e difusão de avisos e alertas agrometeorológicos disponibiliza informações como condições atmosféricas e tendências de tempo para os próximos dias.

E as estações não estão concentradas apenas em Santa Catarina. Diversos pontos foram estrategicamente distribuídos pelo Rio Grande do Sul. Paraná e Argentina, como uma espécie de “cercado” ao Estado, para identificar as movimentações de frentes frias, por exemplo.

Mesmo com todo o avanço já conquistado, os responsáveis almejam novas melhorias para os próximos anos.

“O que estamos buscando é melhorar o acesso à informação, temos que migrar para uma linguagem para o acesso mais fácil. Hoje a realidade são os smartphones, e nosso sistema ainda não é tão favorável a isso”, finaliza Everton Blainski.

Plataforma monitora a presença de ferrugem na soja

Em completa sintonia com o Agroconnect, uma plataforma que foi utilizada em Santa Catarina pela primeira vez na safra de 2020/2021 é outra ferramenta que impacta na prevenção de doenças e ajuda o meio ambiente e os custos do produtor.

“Faz parte de um projeto maior na cultura da soja em um processo com mais sustentabilidade. Coletores são instalados no campo para fazer a coleta dos esporos, que são os transmissores da ferrugem da soja”, explica o extensionista Donato João Noernberg.

O profissional destaca que os primeiros resultados já foram promissores, e esclarece a relação de acessibilidade aos produtores junto ao software do Agroconnect.

“Temos acompanhamentos realizados em várias regiões. Em um caso no Oeste, tivemos redução de uma a duas aplicações de fungicidas. Além de conseguir reduzi-los, conseguimos entrar no momento certo da aplicação. Isso resulta em diminuição de custos, uma economia muito grande. Depois que é feita a leitura no laboratório, ele é enviado para o Agroconnect. A união dessas duas tecnologias garante uma segurança enorme para o produtor”.

Porém, Donato faz um alerta: a vistoria in loco dos profissionais responsáveis ainda é fundamental.

“O fato de nós termos os coletores de esporos não dispensa a vistoria nas lavouras. Essa ferramenta é auxiliar”.

Mapeamento de lavouras e pomares por satélite

Prestes a ser lançado, o projeto que mapeia dados sobre pomares de maçã em Santa Catarina já mostrou que o cultivo da fruta no município de São Joaquim, na Serra, é quase 1,2 mil hectares maior do que o registrado pelo IBGE.

“É um método objetivo. Temos o censo agro do IBGE, que é realizado através de entrevistas declaratórias ou de cooperativas. O que a gente levanta por satélite é muito mais preciso. São Joaquim, por exemplo, tem uma área de maçã de 7500 hectares pelo IBGE e finalizamos 8700 hectares. A precisão é importante porque não são mais estimativas. E isso pode controlar os preços, ajuda em comparações”, explica o engenheiro agrônomo e doutor em sensoriamento remoto, Kleber Trabaquini.

O levantamento deve ser lançado até o fim do ano. Ele trata especificamente sobre o cultivo da maçã, mas a expectativa é que o projeto avance.

“Todo o Estado está sendo mapeado. No ano passado foi lançado o mapeamento do arroz, que está pronto e lançado. O rumo agora é no final do ano começar a banana e a cebola. A ideia é conseguir levantar dados de todos os cultivos que SC produz em grande porte”, finaliza o pesquisador da Epagri, Kleber Trabaquini.

Melhoramento genético do arroz: arte aliada à ciência

Uma das tecnologias mais importantes aplicadas na agricultura é o melhoramento genético do arroz.

Segundo a pesquisadora do Projeto Arroz, melhorista genética e gerente da estação experimental da Epagri em Itajaí, Ester Wickert, o processo pode ser considerado uma arte.

“Costumo pensar que é a arte aliada à ciência. É a arte da observação, paciência e perspicácia aliada à ciência da genética e o conhecimento da cultura que você quer melhorar”.

Wickert esclarece que o grão é levado a uma unidade de pesquisa, onde existem casas de vegetação. “Primeiro temos que conhecer para depois ver as ferramentas. Temos um banco de germoplasma – diferentes plantas da mesma espécie – e então o melhoramento consiste em fazer uma combinação para obter o genótipo – conjunto de características que formam o organismo – que quero”.

Nesse local, os cientistas trabalham para formar a planta ideal. “Uma planta baixa, com grande capacidade fotossintética, com muitas folhas, alta produtividade, que o grão seja adequado ao mercado consumidor e ao agricultor.

O mercado quer um grão saboroso, saudável e de qualidade, e o produtor quer uma planta produtiva, resistente a doenças e pragas, eficiente na utilização de adubos. Além disso, o planeta quer um grão ecologicamente sustentável”, pondera Ester Wickert.

O melhoramento genético pode até soar como algo que apareceu há pouco tempo, mas a Epagri trabalha com isso há 40 anos. Nos dias atuais, Wickert garante que 100% do arroz disponível no mercado tem um dedo do melhoramento genético.

Por: LORENZO DORNELLES

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